A psicoterapia comportamental na infância e adolescência é uma modalidade de atendimento clínico, baseado nos princípios da Análise do Comportamento. Tem como objetivo promover mudanças no comportamento,  sendo ele observável (ex: correr, gritar, verbalizar, reagir, agredir) ou não (ex: pensar, sentir, imaginar). Esse modelo de psicoterapia considera que o comportamento é influenciado por variáveis constitucionais, orgânicas e principalmente situacionais.

Mudar o comportamentos significa ajudar a criança e o adolescente a se tornar consciente, ou seja, a discriminar a função dos comportamentos em sua própria vida e decidir mudá-los para obter uma vida melhor.

Ao buscar as causas do comportamento, sendo ele “adequado” ou  “problema”, é necessário observar três instâncias: espécie (filogênese), história de vida (ontogênese) e ambiente em que se vive (sociocultural). A prática da psicoterapia é baseada em modelos de aprendizagem, metodologia científica de análise e técnicas empiricamente constatadas como eficientes.

A Psicoterapia Comportamental cumpre o seu papel social de promoção de qualidade de vida, uma vez que seu compromisso maior é com o ser humano em toda sua extensão e com a Psicologia como Ciência.

A Avaliação Comportamental inicial é realizada em quatro sessões, uma com os pais ou responsáveis e três com a criança ou adolescente, porém existem casos que se faz necessário maior número de sessões. Cabe ressaltar que a avaliação não é apenas uma fase, é um processo, visto que o comportamento é multideterminado e pode adquirir nova função. Sendo assim, a avaliação comportamental é realizada no início e durante o processo terapêutico.

A metodologia utilizada para a avaliação é a análise funcional do comportamento, caracterizada por compreender que qualquer comportamento está numa relação específica com o ambiente e é mantido pelas consequências. O terapeuta analisa os comportamentos da criança e do adolescente, compreendendo o que “provoca” e o que mantem o mesmo. Por meio dessa análise, é possível levantar hipóteses, identificar déficits e excessos comportamentais e a prevalência de sintomas.

A intervenção comportamental com crianças ou adolescentes é sempre individualizada e integra os aspectos do desenvolvimento humano: motor, cognitivo, social, emocional e verbal.

Pode-se ressaltar que a psicoterapia comportamental com crianças e adolescentes, além de possuir uma metodologia própria (utilização de jogos, fantasia, brincadeiras, tarefas e temas infanto-juvenis) considera que o psicoterapeuta é um modelo e agente reforçador no contexto terapêutico.

A psicoterapia é educativa e preventiva, promove a aprendizagem de comportamentos que concorram com o problema.  A criança ou o adolescente e seus pais/cuidadores aprendem com o terapeuta novos comportamentos (mais saudáveis) por modelo  e/ou por instruções de regras, tarefas e leituras. O objetivo é de desenvolver estratégias educativas mais eficazes e instrumentos para mudar o comportamento.

O terapeuta trabalha tanto focado diretamente no paciente, quanto como mediador na relação da criança/adolescente com seu meio, ou seja, entre situações e pessoas que podem facilitar o aparecimento de padrões comportamentais considerados “problemas”.

Na coleta de informações para a avaliação, além do relato da criança ou do adolescente, realiza-se a entrevista (anamnese) com os pais ou responsáveis e aplicações de questionários e inventários direcionados de acordo com a queixa. Quando necessário, o terapeuta faz observação do paciente no ambiente escolar e entrevista com os profissionais da educação e outros como pediatra, fonoaudióloga, psiquiatra, etc . Após o resultado da avaliação é proposto uma intervenção focada e individualizada.