Estudos internacionais têm indicado que a prevalência geral de problemas comportamentais de crianças e adolescentes situam-se entre 10% e 15%. Além disso, várias pesquisas têm demonstrado que a presença destes problemas na infância e na adolescência implica prejuízos importantes no funcionamento do indivíduo, que podem acompanhar em todo o seu desenvolvimento, caso não sejam tratados. Portanto, a demanda de crianças e adolescentes que necessitam de avaliação e intervenção de profissionais da área da saúde mental infanto-juvenil é muito grande.

As crianças e adolescentes com transtornos mentais devem ser atendidos por psiquiatras com formação em psiquiatria da infância e adolescência. Em primeiro lugar, a avaliação psiquiátrica de crianças e adolescentes apresentam características peculiares que a diferenciam claramente da avaliação de adultos. As forças do desenvolvimento ainda atuam intensamente nessas etapas do ciclo vital. O importante é diferenciar as características normais de determinadas fases, de sintomas de problemas de saúde mental. Conseqüentemente, para a avaliação de crianças e adolescentes é fundamental o conhecimento profundo do desenvolvimento normal nessas faixas etárias.

A avaliação de uma criança e de um adolescente tem suas peculiaridades, pois o desenvolvimento e, por conseqüência, as manifestações dos problemas comportamentais nessas faixas etárias estão fortemente influenciadas pelo meio. Os problemas de saúde mental surgem a partir de inter-relações complexas (fatores biológicos, genéticos e psicológicos) características ambientais (cuidado parental, relacionamentos interpessoais, exposição a eventos estressores) e sociais (rede de apoio social, vizinhança e outros).

Portanto, a avaliação de crianças e adolescentes exige vários conhecimentos, do desenvolvimento infantil normal, dos problemas comportamentais que afetam crianças e adolescentes, sobre as práticas parentais e de dinâmica familiar. Assim a avaliação na psiquiatria da infância e da adolescência, deve ser realizada dentro de cada fase de desenvolvimento que a criança se encontra. A comunicação de crianças pré-púberes não é essencialmente verbal. É fundamental que o profissional de crianças esteja familiarizado com um ambiente de avaliação mais participativo, onde muitas informações diagnósticas são colhidas por jogos, brincadeiras e desenhos.

O processo diagnóstico na infância e adolescência é complexo. Os problemas comportamentais da infância e da adolescência, normalmente vêm associados a outros problemas comportamentais. Vários transtornos mentais são usualmente identificados primeiro na infância e na adolescência, como o transtorno autista e o transtorno de ansiedade de separação.

Na psiquiatria da infância e da adolescência, existe uma competência técnica para avaliar em cada fase do desenvolvimento apresentações clínicas, como é o caso dos problemas ansiosos, depressivos, dos transtornos do espectro obsessivo-compulsivo e do transtorno do humor bipolar.

A psiquiatria da infância e da adolescência também realiza abordagens terapêuticas psicofarmacológicas e psicoterápicas com crianças e adolescentes. Com o conhecimento técnico da administração de medicamentos em um organismo em desenvolvimento.

O comportamento infanto-juvenil é complexo e único, que sofre interações biológicas, psicológicas e sociais. O organismo da criança e do adolescente é dinâmico e em continua mudanças e que sofre influências de fatores do próprio organismo e de fatores ambientais. Portanto, o diagnóstico nestas fases do desenvolvimento também é complexo e exigem vários conhecimentos e deve ser realizado para aliviar o sofrimento da criança e do adolescente, de seus familiares e para minimizar repercussões futuras do problema.

Para o diagnóstico normalmente conta-se com uma equipe multidisciplinar, psicólogos, psicopedagogos, neuropsicólogos, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e da escola.

O psiquiatra da infância e da adolescência normalmente necessita de no mínimo de três consultas para sua avaliação, inicialmente conversará com os pais e posteriormente avaliará a criança. Necessitará conversar com outros profissionais que já atendem a criança e com a escola. Ao final passará o diagnóstico inicial da criança e ou do adolescente e suas recomendações terapêuticas.

No caso de adolescentes, normalmente, a avaliação será iniciada conversando com ele e posteriormente com os pais.