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Durante a gestação, a mulher passa por um processo intenso de preparação para o desempenho de seu novo papel. Preparação esta que se dará em todos os âmbitos de sua vida: no físico, no emocional, no social e também no espiritual. É a natureza, que sabiamente está preparando esta futura mãe para se adaptar a nova condição.

Perceberemos que a mulher ficará mais sensível durante toda a gestação, e essa sensibilidade será essencial para cuidar de seu bebê, para conhecê-lo aos poucos e ao mesmo tempo, ir identificando e compreendendo quais são suas necessidades.

E diante de todas essas mudanças, o psiquismo também passará por alterações profundas, para que sua identidade de mãe venha à tona, e se adapte à nova situação. Será o momento da transição entre o papel até então, “da filha”, para o “da mãe”.

Gestação e parto são processos naturais, e também são considerados como parte dos “ritos de passagens” existentes, que permeiam a vida de todos nós, porém, com as mudanças sociais, com a necessidade cada vez maior das mulheres assumirem novas responsabilidades, estes ritos deixaram de se fazer presentes, e a ausência dos mesmos modificou também a forma pela qual muitas mulheres vivenciarão a gestação e o parto.

Quanto maior for o preparo para a gestante em relação ao que está por vir, em relação às dúvidas que possam surgir durante esse processo e quanto maior for o suporte emocional oferecido à mesma, maiores serão as chances de adaptação para ela, para o bebê e seu entorno.

Passar pela gestação de forma solitária, sem o apoio e envolvimento de outras mulheres, e a falta de preparo e de suporte a todas estas questões que a amedrontam, poderá resultar em sérios problemas emocionais, que culminarão no período pós-parto.

O baby blues ou blues puerperal tem seu início geralmente poucos dias após o parto e provoca sentimentos de tristeza, nervosismo, preocupação e uma labilidade de humor constante, onde a mãe se vê chorando a todo o momento. É possível que as significativas mudanças hormonais da gestação sejam responsáveis por estes sintomas, que tendem a desaparecer em questão de dias.

A depressão pós-parto é bem mais séria que o quadro de baby blues. Enquanto a maioria das mães consegue superar o quadro melancólico e passam a curtir seu bebe e sua nova vida, uma mulher que desenvolve depressão pós-parto ficará cada vez mais ansiosa e tomada por uma série de sentimentos negativos e avassaladores.

Seu início se dá semanas ou mesmo alguns meses após o parto, e diferentemente do baby blues, neste quadro, se faz necessário o acompanhamento de um profissional da saúde, e em muitos casos o uso de um psicotrópico para que o humor possa ser estabilizado e a mãe possa retomar sua vida e os cuidados com o seu bebê.

Não podemos falar ainda sobre prevenção à depressão pós-parto, mas pesquisas indicam que um acompanhamento psicoterápico durante a gestação e durante o pós-parto reduzirá a incidência do quadro, evitando assim que mães e filhos vivenciem uma experiência negativa, facilitando a formação do vínculo materno-filial e  auxiliando essa mãe à retomar com naturalidade sua vida profissional.

Autora: Psicóloga Nilsea Roberta Siqueira da Costa